About the Book
Matsuo Pé-de-Banana (1644-1694) Mais para baixinho, raquítico, vocação tísica, estômago acostumado à cólicas, natural de Ueno (100km sul de Kyoto), pai samurai sem ser aceito gaijin: trocou a arte da katana, a espada filosofia de vida, pela brocha ensinando as crianças da vila e o filho a escreverem, punido por causa disto nunca tornou-se gaijin. Matsuo piorou a situação famiiar um pouco, tomou gosto, se viciou em literatura, foi aprender o ofício da poesia com Kigin, poeta reconhecido. E foi beber na fonte, ler e aprender poesia chinesa! Desde os 25, quando deixou o arroz caseiro, e se mudou para Edo (Tóquio velha hoje) Um teso, escever nunca deu grana, enquanto vivos os escribas, as exceções só confirmam o óbvio da regra. Nem ele explicava a gente jovem que se juntou a ele nas aulas para estudar e praticar poesia e hai kai. Em vez da katana que sempre deu fama e grana. Sempre mais teso, as aulas eram pagas com escambo de comida. Aos 36, metade da curriola lhe construiu em mutirão uma casa só com teto tamanho da esteira grande, tudo palha. Se foi com o incêndio que só salvou parte mínima de Edo, a dos senhores feudais. Um dos estudantes encontrou Matsuo sujo, roupa queimada, sentado na beira do rio Sumida, onde ficava a casa, tremendo agarrado numa metade do último saco de arroz e num cacho de bananas, com a cabeça numa moringa de sakê frio. Lhe perguntou como escapou. Matsuo lhe deu uma folha suja, escrita: Cansado da cerejeira, cansado da vida inteira, sentado frente ao escuro sakê e a um arroz negro.Com outros da rapaziada ajeitaram mais palha, outra pequena casa. Um deles lhe plantou uma árvore de bashô, misto de banana dágua com a prata. A partir daí só escreveu com o nome que ficou, Matsuo Bashô, Matsuo Pé-de-Banana. Sem katana, seus hai kais lhe deram reconhecimento literário, nunca se acostumou com a grana que podia vir da fama. Aos 39, 40, se converteu ao zen budismo pelas obras daqueles poetas dão razão para não servir à pátria, e pelo seu mestre zen, Butcho. Aos 39, 40 roupas usadas de algum falecido monje budista, sandálias de palha moldada algodoada cobrindo os tornozelos com tiras de juta trançadas com algodão crú, como as feitas nos monastérios para o retiro zen, bornal de couro velho alçado no ombro, com camisolão algodão grosso enrolado preso na alça, dentro uma muda de roupa, algumas frutas sêcas envoltas em pano, 2, 3 pincéis, pasta de pigmento duro, aquecido amolece nanquim, folhas de papel arroz, seu diário e cadernos: on the road, a pé, dormindo ao relento no verão e primavera e nos alojamentos primitivos quando o frio mandava. Nos 14, 15 anos seguintes de vida não troca mais o figurino, vai substituindo o gastado por outro menos gasto. Os relatos de viagem viram o ofício de hyohakusha, 'o que viaja sem direção', e ele vira cúmplice da rosa dos ventos interiores japonesa. Diário de um esqueleto abandonado à intempérie; Manuscrito em um bornal. E o que lhe deu imortalidade, traduzido para o inglês, francês, espanhol, quase todo o resto da Europa, Senda pelas terras dos fundos. Pé-de-Banana andou 2.340km para escrever esta Oku No Hosomichi. Se sustentava dando aulas de poesia onde havia pessoas perdidas nas vilas perdidas. Aos 50 anos se foi, voltando para Osaka, gasto pelas viagens e pedras na vesícula. Fazem 5 séculos ainda não decidiram se é um sábio boêmio, um andarilho obsessivo, um meio santo venerado, ou um poeta imortal. Ou todas as anteriores.